quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

- Odeio despedidas


Eu não sei o que ele tem ou fizera. Mas  o ultimo que passou por aqui não conseguiu desvendar o que estava á sete chaves.  Ele chegou sem bater e logo foi se acomodando como quem  já conhecia seu lugar. Confesso, que seu sorriso foi como uma janela iluminando tudo, até os cantinhos de poeira. Eu não deixei  ele entrar, também não o impedi. Vi que ele carregava uma bagagem, e minha preocupação agora  é se ele iria desfazê-la. Só estou começando a me acostumar com sua presença, e acredite, tudo tem melhorado desde então.
Ele diz ser viajante do tempo, e que por muitas vezes se viu “preso”. Me contou sobre os lugares que passara e pra onde ainda gostaria de ir. Eu gosto de ouvir historias. Ele diz ter gostado deste lugar, e que pretende habituar nele por um tempo, mas não sabe se deve agora, ou no amanhã tão longe. Ele também deixou claro que “para sempre”, é muito tempo e muito caro, e que isso esta fora  de seu roteiro.  De certa forma isso me confortou, pois a hospedagem “para sempre” esta ocupada por um velho e querido inquilino.
A mala marrom-velho, continuava do lado esquerdo da poltrona intacta. Ele estava sentado na cadeira de balaço a observar o céu.  Daria uma bela foto, pensei. Foi quando ele me olhou, e me contou sobre suas experiências, até então ele tinha me dito só nomes de lugares e ruas. Foi quando ele pegou sua mala, e abriu o primeiro bolso. Era um bolso grosso e fundo. Me surpreendeu quando ele disse que naquele bolso estava seus medos. - Como assim, Você tem medo? Indaguei. Não havia acreditado, só por ele enfrentar a estrada, já o considerava alguém totalmente corajoso.
E foi quando ele me disse que tinha medo de encontrar um lugar em que não conseguiria se despedir e teria de ficar...
O medo que transpareceu daquele bolso tomara conta de mim também. Ele tinha medo de ficar, e eu tinha medo que ele partisse.
Qual o antídoto do medo? Eu não sei, tenho poucos dias para descobrir...Eu odeio despedidas.

Meu coração se alegrara e acelerava com o passar dos instantes, ele havia decidido ficar. E tudo parecia cada vez mais claro e mais bonito. Mas o ditado:”nem tudo são flores” havia se apossado da situação. Algo inesperado aconteceu...eu não tinha um lugar sobrando, o pior foi o erro que cometi a não me certificar que havia alguém em um dos aposentos e eu tinha me esquecido. E agora? Me desesperei. Não poderia deixar o viajante partir, mas não tinha como ele ficar.
Eu não sei qual será a decisão dele, mas sinto que estou prestes a perde-lo. Justo ele, o homem do sorriso perfeito...

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